Balanço
O Grito
Silêncio Perplexo

Eis! Amiúda-se o grão de luz
Suspirar, Suprirá
Arfar o ar. Suspirar. Respirar!
Paro e olho diretamente para o significado deste mundo.
Tudo que interpreto, tudo pelo que tenho velado!
Me questiono qual o verdadeiro valor de tudo...
Se nada exterior pode se ancorar em mim,
onde então estará o valor pelo qual devo prezar,
e pelo qual minha alma espera? Onde está?
Vejo o quão pobre me faço. Somente agora
percebo-me tão material e tão frustrado.
Não há quem seja mais pobre neste século,
senão o homem que confia em suas próprias riquezas.
Nada pode me segurar, nada pode me
deter... Nem ouro, nem prata! Nem riqueza,
nem poder! Mas o amor! Onde está meu amor agora?
Só ele pode me prender em seus braços!
Amor, antes te sentir etéreo, que estéreo me confinares
a viver sem ti! É por ti que procuro? Será que procuro?
Tudo em mim grita teu nome! Não vez o quão distante já
te tornaste? E só preciso de um abraço, nada mais.
Pegue esta tona! Pegue a alva! Pegue-se aos torvelinhos
do vento! Volte para a casa, pois ainda te espero!
Te espero loucamente, arduamente...
Ou tu não és quem a minha alma espera?
Ou tu não podes suprir a falta que sinto de mim mesmo?
Ou tu, ou outro amor.
Saúde a todos nós. Abrem-se as cortinas do espetáculo!
Um brinde!
Fresta de Luz
.Orbium

Noite

19/01/11 – 2h34
O ar da noite é mais puro
nela os corações são mais livres
o som repousa sem agouro
como ondas do mar de Chipre.
Viajo e encontro amigos
tesouros oníricos antigos
dos séculos de minh’alma
pela noite viva, calma.
Desfaço-me em desfrute,
rego-me pelas luzes da lua,
grandiosa até que me furte
da cama, mulher toda nua.
Carambolas feitas em estrela
enfeitam o prato pelo estrado,
assim como sorvo-as, frutas,
me transmuto em furta-cor.
Radiante prata corta o negro véu
de veludo. Vestes dos céus!
Lua que sorri para os meninos,
tentando fazer dia os caminhos!
Sorrio pra ti também, além.
Noite de canções batismais.
E de redenção sem vinténs,
águas invisíveis aos mortais.
São olhos úmidos que miram
estrelas que dançam e giram.
E no céu da noite vão orvalhar
um brilho, um matiz, um olhar.
Reconforta-me a cantiga da mãe,
como se o dia em gestação
fosse mais pleno e sem afãs.
E esperasse novo, o coração.
Crio asas. Sinto ventos. Vôo.
Transmuto a carne e sonho
que caminhava pleno no céu
agora, todo sem este véu.
Não cessaria este sono,
Sem antes ver-te de perto
noite, lua, estrela, sonho!
Amor que se faz certo.
.
Feliz 2011 - (Prefácio)
Louco e Cego
Dois passos ao paraíso
Pó

Tiago Soares Portes 01h39 de 09/11/2010
Minha fragilidade urde contra mim,
evidentes ficam meus ossos sob a pele
me olham e encaram mudos assim
e o tempo se derrete como uma vela.
Dias sem cor insistem em vir e ir,
numa dança sem música e lúgubre
c’o alento da morte que traz em si
todos os dias funéreos e insalubres.
Tu que és pó, a ele, certo que voltarás
tão rápido quanto murcha cedo a flor
tão rápido o será, que sequer o verás
com os teus brancos olhos sem cor.
Vou-me daqui, João, vou-me daqui!
Tão rápido já chego além, ao além.
Embora me chames, oh dia de sair
E cumprir como o Cristo em Belém.
Toda natureza morta e cheia de pó
imita meus ossos em troncos mofados
como meu corpo nessa lida está só
ouvindo, triste, o fim do regalo.
Voarei nos arpejos destas chamas
apagadas por ventos vindos d’aurora
da vida que se queima lenta e clama
por encantos da chuva que chora.
É certo que irei, e irei certo e errado,
como os anjos saem e voltam ao céu.
Que direi se nada tenho nem faço?
Assim serei como o pó lançado ao léu.
Medroso homem, espírito feito carne
deixa o orvalho lento pousar sobre ti
pois nada tens que te leve deste cerne.
Então, contemplareis estrelas sem fim.
Deita-te no monturo da tua história
e te acertes que amar é a única sorte
para viveres bem longe desta escória
e aguardares, limpo, esta tua morte.
Certo que és. Certo que vais ao oeste
pôr-se como sol de um dia invernal
cumprir toda a viagem que te deste
para muito aquém do espaço sideral.
Ama agora, desperta, chora, logra!
Só tu tens o poder de saber ser feliz
enquanto dias amanhecem lá fora
anoitecem outros aqui nestes jardins.
lembra da cantiga do velho tempo.
O que faltou queimar deste incenso
acende agora e vai amar completo.
Retrancas
Ao Vivo
Admirei-me de que os meus textos tenham acabado e de que tenha aberto a pasta do computador e não visto nenhuma novidade. E sei que isso é apenas um sintoma de um distúrbio maior.
Sintoma de que o meu tempo, assim como o seu, é consumido por horas de twets, de msn, de facebook, de orkut. Sintoma de que os últimos livros que tenhamos lido se resumam à legislação de algum órgão público para o qual prestaremos concurso e somos, forçosamente, obrigados a engolí-los sem saber, sequer, se terá uma digestão ideológica que cumpra o ofício.
Enfim, um sitoma de que nossos espíritos andam carentes do relacionamento, das trocas de idéias, das manifestações de luzes e clarões intelectuais que só brotam na ebulição de discussões saudáveis, ou nem tanto, de semalhantes que se atraem e se constroem.
A carência de ideias é notória. E não só de ideias, é uma carência crônica! Uma carência espiritual. De espíritos que se engrandecem uns aos outros e não somente aos própios umbigos. De pessoas que tenham o que acrescentar umas às outras, e não apenas jogar seu tempo diante de uma tela de computador e esperar que o mundo que elas imaginam ali salte pra fora.
Uma carência profunda e que, ironicamente, mostra o quanto o homem está desconectado em si mesmo, justo na era em que pode estar conectado em vários lugares ao mesmo tempo.
Seria mais trágico ainda, e é, se não pudesse aprender esta lição.
Minha alma clama, meu espírito se contorce por uma edificação pessoal sólida, por crescimento, por luz, mas o que me resta, assim como a todos nós, é a simples sensação de sebo daquilo que não se movimenta mais: a nossa atitude.
Me desculpem todos os outros, mas me retiro e encerro este texto sem delongas a mais. A vida tem pressa e eu quero viver, seja ela o que espero ou não.
As Lágrimas do Crocodilo
por um instante
traduzi-las,
dar cor a este fundo ocre,
que não possui adjetivo.
Mas quando as busco,
onde?
Não tenho os meios?
Não tenho bateladas
de informação?
Que não cabem em mim!
Que não cabem neste mundo.
Onde estais vós palavras?
Palavras que ecoam pelo vento.
Talvez o vento diga mais,
talvez ele explique mais do que vós podeis dizer.
Sim!
Pois é ele quem faz navegar estas minhas velas,
que tão suave,
deslizam a proa sobre as escuras ondas...
Sim!
Talvez seja melhor não materializá-lo,
talvez todas elas fujam com o medo
de sua presença,
medo de derrubar seu castelo
de intenções,
de razões,
de imaginações
vãs.
Talvez elas se escondam
porque és como um vulcão em chamas,
como um buraco negro,
um monte que cospe fogo
e quer consumi-las.
Que fim prevês então?
Sua apoteose?
Sua apostasia?
Sua crença
ou descrença?
Sim,
talvez seja esse o medo,
de que tudo seja igual,
talvez seja o medo de dizer que
o mais banal é o mais aceito,
que o mais intuitivo é o que acerta mais.
Mas que fizeste
para que palavra alguma
pronta viesse
e te dissesse
a verdade?
Se pudesses responder
a mais uma pergunta seria esta:
que local proibido queres pisar?
Que terra de ninguéns é esta?
Que deserto tolo buscas?
Arranque a capa,
abra as cortinas,
entregue-se ao espetáculo.
Escrito em 24/06/2007

Divago

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.
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se se tem pelos termos de um acordo
a afeição do outro.
Se se vive a técnica do prazer
pelo amor não inteiro.
Se é amizade a força primeira!
Se é Eros o artesão do prazer!
Se é a natureza!
Se é o bicho-homem!
Quando regava meus canteiros
lá pelo século passado,
regava e pensava:
É o amor
como essas gotas
que enchem a flor?
É o amor como
suspiros silenciosos
da pequena rosa
em botão?
Eu a dou a água
da vida,
sua vida!
Sua necessidade supre-se.
Minha nescidade extingue-se.
Sou eu tua planta, oh amor?
Quantas cartas ainda te escreverei?
Sem respostas!
Não lidas!
Cartas guardadas!
Palavras ao vento!
Suspiros ao léu!
Debruço-me já
quantas vezes
aos pés de teus ouvidos
para murmurar
meus lacrimosos contos?
Sem que,
contudo,
me respondas, amor!
Sem que sequer
olhes de relance para mim!
Quisera eu ser teu amigo,
mas hoje tenho medo
de tua face mirar!
Imputaste-me a dor da ignorância!
Afligiste-me depois de usurpar-me as defesas...
Fujo de ti como uma cabra selvagem!
Fujo de ti como os silfos pelos ventos!
Mas, às vezes, paro, descanso
pelas sombras e percebo que
quem me dá água
és tu mesmo
e quem me faz sombra
diante do sol da vida,
és tu
de quem tanto fugi,
tu.
Aquele que furta-me as sentinelas da alma
e seduz-me até teus braços!
Tu,
oh amor!
Lágrimas de amor!
Tu...
