Os mares aquém

Tem um mar aquém,
que a tudo circunda,
transborda também,
que se afoga e afunda.

Este mar aquém
tenta desaguar
em outro alguém
e rio virar

no colo de amar
donde se mantém
vem se entornar
para mais além.

Quê tem este mar
das brumas que vêm
meu cauto amar
mansas tomarem?

***

Todo na janela
posso vê-lo a rir-se
com ondas de trelas
e tagarelices.

Prosas, sinfonias
sejam quais forem
rosas ou petúnias,
as toma também.

Há mares aquém
e ondas a bulirem
que cantam assim
e ninguém vê em mim.

Se terá o meu bem
lembrado de mim
sem nenhum vintém
do lado de aquém?

Síntese

Sintetizo-me ao desenrolar dos dias!
Absorvo o alcalino gosto do tempo
verde, absorto.

Esperança

Os ares tão graves da contradição
circundam o monte dos meus pensamentos.
Seus aprumes picos talvez sejam vales de relva.

Valores auto indulgentes consagrados ao ego.
Qual o tamanho verdadeiro deste barro?
Quão pequeno és criatura, sob o orbe infinito,
qual pingo que ligeiro mancha a terra extensa!

Ah, matéria de afãs tão banais
arfar vens o sopro denso destes ares,
ares de contradição, rendição, barro.
Ah! Que ouvidos surdos nos fizemos!

Rendo-me ao calor do dia, da exímia luz,
colar da vida! Leva-me à simplicidade
pura, límpida, pequena, copo de paz.
Leva-me às ondas sossegadas do mar
do amor. Leva-me aos cânticos das
petúnias estrelares, ao firmamento dos
séculos, onde perdura a paz, a bonança,
a vívida esperança de viver do amor.

Amém.


Fish