Feliz 2011 - (Prefácio)

Hoje, 2010 finaliza-se. Bem oportuno fechar o ano com uma última realização: publicar meu prefácio a tanto prometido.
Enfim, quanta coisa não aconteceu! Estou muito feliz pelas perspectivas e pelas oportunidades que se apresentaram a mim. Mas, tudo passa como um sopro: o homem, sua juventude, suas construções, seu ânimo e seu cansaço!
Que, por cima de todo este monturo de anos e épocas, o ser consiga se transcender para a busca do amor real, da iluminação, da libertação, do conhecimento, do serviço prestado ao seu próximo e a si mesmo, é a minha intenção para todos.
Que o conhecimento da verdade liberte-nos de nossas vis paixões e nos faça reconhecer o valor do verdadeiro amor. Não que eu o conheça inteiro, ou alguém um dia o tenha feito. Mas, ele nos conhece e nos encontra todos os dias.
Obrigado a todos que leram, lêem e lerão meus posts. Eles foram escritos pra mim, mas seria esforço debalde guardá-los apenas comigo. Estão aí. Mostram detalhes da minha vida escancaradamente, muitos saberão interpretá-los, outros nem tanto. Mas, espero que veja-se refletido nestas letras e que, assim como eu, encare medos, preconceitos e paixões obscuras, traga-as à luz e veja o milagre da alquimia interior: a renovação dos sentimentos e sua evolução.
Paz e luz a todos que se aventurarem por estes caminhos que exorcismam nossos medos e nos faz calgar alturas nunca antes vistas: alturas de nosso próprio ser. Bem vindo ao meu mundo, ao seu mundo, ao nosso mundo!

Louco e Cego

Não concebo na totalidade os instintos
que me instigam.
Como unir fogo e água?
Como conciliar amor e ódio?

Seu coração sente-me
e segue-me pelos recônditos
da noite estelar.

Nossas almas se enamoram
e aguardam a flecha do amor
ferido, absorto.

Meu corpo goza,
minh'alma desalenta
suspira este acalanto.

Em um canto
busca indefesa
minha pele
se defender
de tuas setas.

As vagas
e procelas
rugem
dizendo me levar.

Onde está minha redenção?
Onde está meu coração
agora?

Partido
como o vidro,
traçado
como o papiro
envelhecido?

Embevecido
em vinho,
o amor?

Nesta trama de explosões?
Com o vinho soluça,
chantageia-se a si próprio
como querendo a tudo possuir,
a tudo se agarrar,
a se agitar,
a gritar,
a fugir!

Meu coração vê segredos
que matam,
amaldiçoam.
De onde brota
a redenção?
A salvação cavalga
com a morte.

Ao êxito da vida,
segue a tristeza da morte,
à completude do espírito,
a abstenção da carne,

bêbada,
desditosa,
amarga a derrota.

Ronda no ar
o cheiro do perfume
envolto à poeira
deste esconderijo.

Ronda no ar
o cheiro do seu sexo
louco e cego.


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Fish