RACIONAL

18:16 - 11/11/2007



Quero encontrar uma razão que me diga o porquê de amar tanto assim.
Será uma tentativa de reconstrução dos alicerces?
De não mais sucumbir a vagueações vãs?
O amor parece reconstruir e desconstruir.
Emergir e naufragar.
Ebulir e cristalizar-se.
Flutuar e afundar-se.
Tomara, saiba eu, se existe um resquício da secular sabedoria,
escolher entre tuas forças, oh amor.
Tomara algum sol, algum dia, me diga e aqueça,
resplandeça sobre essa minha questão.
Torna-te, para meu espanto, tua própria resposta,
se tu, oh amor, o és tão ambíguo, duplamente forjado,
se te fizestes estes dois gumes,
criaste-me uma questão para a qual
somente tu és a resposta.



Pendendo me fico entre teus êmbolos, embriagado,
arrebataste-me com apenas um de teus olhares.
Não sei mais quem sou,
me desapareço ante minha própria vista,
só o vejo, só a ti,
rompendo meus pensamentos,
minhas razões, emoções...
Só a ti eu vejo,
pois me tomaste por completo.
Um ébrio eu sou, pois não me dirijo como os sensatos,
trôpego o amor me fez andar,
até que eu me tornasse o próprio amor,
numa junção caótica, intensa, viva...
Suspiros sobem as paredes, tocam o teto, saltam as janelas...
Suspiros e murmúrios que dizem uma única frase:
"encontrei o amor..."




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