O Amor te Encontrou [Sonhos]

Somos peregrinos aqui. Sim! Isso é verdade. O que nos levaria, no entanto, a querer suplantar essa verdade em prol de uma mensagem, de uma resposta? Que amor é esse personificado que me procurava? Onde ele leu meu nome para que me desse por perdido de si?

Ou ele apenas me viu pelo caminho e de imediato me abraçou, me amou.
Ou simplesmente veio como onda debruçar-se sobre meu corpo.
Ou capturou-me com seu olhar.
Ou sugou-me a alma com seu beijo para que me tornasse um só nele.
Ou abriu a arca sagrada ante o pecador.
Ou a apoteose do ser se iniciou.
Ou banhou-me em vinho, seu vinho.
Ou veio e chegou, me encontrou.

Onde estavas, oh amor, para que eu diga que chegaste? Por onde andavas? Vazava clareiras? Andou chamuscando corações e agora veio queimar em mim? Mas, onde foi que te perdi de mim?

Ou certo como a manhã não tarda vieste.
Ou guiado pelas estrelas viste-me neste humilde colo de vida onde estou.
Ou leu meu nome nos céus.
Ou aproveitou meu momento de descuido e me possuiu.
Ou entrou por meus olhos quando a ti miraram.
Ou apanhaste as portas abertas.
Ou angariaste um exército que rompesse as fortalezas do ser.
Ou as abriu como a uma rosa em botão, como a flor da matina molhada de orvalho.
Ou desceste por sorte sobre mim quando caías do céu.
Ou marcou-me desde a eternidade para si.
Ou vagavas como o vento que irrompeu sobre mim, como uma carruagem celeste trazendo a anunciação dos tempos.
Ou o fogo temporário.
Ou a água quieta e profunda.
Ou a terra mãe.
Ou o ar suspenso.

Donde vens, oh amor?
De qual trabalho te exoneras?
Pois me encontrastes.
Meus cumprimentos.
Não posso fugir.
“O amor te encontrou!” ecoam as vozes.

Perigo

Tiago Portes – 20/06/2009 – 23h33


Há quem queira se defender de borboletas azuis que o sobrevoe.
Quanto encantamento e medo traz essa visão.
Mariposas indefesas são, mas há algo nelas que te provoca.
Há quem queira correr das paredes, ali tão imóveis, frias, estáticas.
Há quem queira fugir de um sorriso, no rosto tão etéreo, encharcado num semblante de felicidade que paira nos ares.
Há quem tenha pavor, temor, um calor frio que quer brotar dos poros.
Há quem julga e subjuga pelas suas vistas cegas.
Não saber, não ver. É toda a resposta que basta por hora.
Colocamos uma venda em nós mesmos e despimos todo o resto do corpo.
Estamos ali, expostos. Nus. Sem senso. Sem, sem. Só.
Expostos à loucura que se rebate dentro em nós.
Perdemos os bons sorrisos, as mariposas alegres, a simplicidade de uma parede branca e fria.
Perdemos o destemor da vida que pulsa, que alimenta o ser. Perdemos.
E se foi sua nuvem após a tempestade.
Se esvai o vapor de seus dias.
Findaram seus tormentos.
Findaram seus sorrisos calmos, a cor das asas azuis das borboletas. Voaram, foi-se o azul.
Mesclam-se ao anil celeste.
Secou-se a fonte. Té que a vida se calasse.
Onde estão seus sorrisos, amigos?
Onde estão suas borboletas, arte?
Onde estão suas paredes, trabalho?
Onde está sua base?
Onde está sua vida?
Onde está você?




---------------------------------------------------------------------

Fish