Perigo

Tiago Portes – 20/06/2009 – 23h33


Há quem queira se defender de borboletas azuis que o sobrevoe.
Quanto encantamento e medo traz essa visão.
Mariposas indefesas são, mas há algo nelas que te provoca.
Há quem queira correr das paredes, ali tão imóveis, frias, estáticas.
Há quem queira fugir de um sorriso, no rosto tão etéreo, encharcado num semblante de felicidade que paira nos ares.
Há quem tenha pavor, temor, um calor frio que quer brotar dos poros.
Há quem julga e subjuga pelas suas vistas cegas.
Não saber, não ver. É toda a resposta que basta por hora.
Colocamos uma venda em nós mesmos e despimos todo o resto do corpo.
Estamos ali, expostos. Nus. Sem senso. Sem, sem. Só.
Expostos à loucura que se rebate dentro em nós.
Perdemos os bons sorrisos, as mariposas alegres, a simplicidade de uma parede branca e fria.
Perdemos o destemor da vida que pulsa, que alimenta o ser. Perdemos.
E se foi sua nuvem após a tempestade.
Se esvai o vapor de seus dias.
Findaram seus tormentos.
Findaram seus sorrisos calmos, a cor das asas azuis das borboletas. Voaram, foi-se o azul.
Mesclam-se ao anil celeste.
Secou-se a fonte. Té que a vida se calasse.
Onde estão seus sorrisos, amigos?
Onde estão suas borboletas, arte?
Onde estão suas paredes, trabalho?
Onde está sua base?
Onde está sua vida?
Onde está você?




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