"Se vocês quiserem construir uma sociedade que apedreja pecadores, nós vamos nos apedrejar uns aos outros. O último apedreja a si mesmo e morre. Não se constrói uma sociedade que discute pecado e penaliza pecado." (Pr. Ed René Kivitz) (Assista a entrevista com Ed René Kivitz)
E é assim.
Afinal de contas, o que é o pecado? Prezando pela coesão, pecado deveria ser tudo aquilo que é mau, escapando de suas conotações culturais. Mas, o que é o mau? Mau é fruto das ações de quem foi ou é mau, ou seja, daqueles que, não sendo bons, não conseguem ser justos, conforme Jesus já havia predito: "Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?" (Mt. 7:11). Há várias linhas filosóficas a respeito da origem do mau, mas vamos nos concentrar nas que nos são contemporâneas e que estão ligadas aos cristãos.
No seu lado mais obscuro, há uma cicatriz vergonhosa na história das religiões que tem no pecado a sua justificativa: a "Santa" Inquisição. A partir dela, o pecado até ganhou nomes mais bonitos, como heresia, desvio, subversão, símbolo do anátema.
É tão claro notar, se nós apenas olharmos para o passado, que o pecado é variável e mutável, assim como os conceitos humanos, como a cultura, as realidades sociais e os costumes. Portanto, é ser demasiadamente trivial, para não dizer mesquinho, conceber "pecado" com base em crenças teológicas ou experiências pessoais ou comunitárias desta ou daquela religião.
O consenso é de que o pecado é feito na carne, tem a sua origem no corpo. Mas o corpo que temos nos foi dado como dádiva, para nele experimentarmos a vida e suas experiências, penosas ou agradáveis. Ele é o envólucro de nosso intelecto, o veículo que dá suporte à nossa consciência em sua interação com o mundo. É o corpo uma ferramenta passageira do qual fazemos uso aqui e agora em nossas demandas e questões existenciais, como por exemplo escrever este texto que trata sobre o pecado ou lê-lo, como você faz agora. No entanto, fizemos do corpo o réu de todas as formas de pecado que a humanidade pôde, um dia, imaginar.
Há que se pensar que, em seu caráter efêmero, o corpo não é, em si, agente tão grave ou que produza tanto agravo, visto que o "mau" que dele se origina, na verdade, vem daquele que faz uso do corpo enquanto ferramenta. Ou seja, a consciência que lhe dirige os passos é a portadora da "má" semente, pois é ela o agente do livre arbítrio e das escolhas.
Afinal, ainda precisamos responder a pergunta: o que é o mau?
Em seus diversos ensinamentos repassados para o povo judeu, Moisés instituiu uma lei que apontava tudo aquilo que era mal e que o povo judeu devia deixar de fazer ou devia passar a fazer. Entre as normas estava o apedrejamento de mulheres que fizessem sexo com outros homens, que não o marido, ou de crianças que desobedecessem aos pais, ou jovens do mesmo sexo que mantivessem algum contato sexual entre si, ou o isolamento necessário à mulher na fase próxima à menstruação, ou o tratamento diferenciado para quem usasse roupa que não fosse de algodão, ou para o homem que não deixasse a barba crescer e/ou comesse carne de porco, entre outros. Mas isso não define o que é o mau, pois tais atos, por si sós, são inconcebíveis enquanto fatores agravantes em nossa cultura. Talvez tivessem seu objetivo no tempo de Moisés.
De uma forma antagônica, no mesmo livro do Êxodo e dos Levíticos, é narrado que Moisés recebeu apenas dez mandamentos originais, os quais não haviam sido escritos por ele, de forma que os próprios livros afirmam que os demais itens são a "Lei de Moisés". Lembrando que as regras criadas por Moisés estavam em completa conformidade com os princípios vigentes à época: "dente por dente, olho por olho". O que sugere sua contextualidade cultural e atual incoerência.
Antes de concluir a resposta sobre o "mau", vamos voltar ao tema do corpo novamente. Ele é ferramenta indisponível do ser humano, ou seja, da qual não se pode abrir mão. O corpo, enquanto objeto do intelecto, tem nos reflexos da natureza a sua única forma de expressão. Não podemos condenar o ato sexual, o comer e o beber, o sorrir ou chorar, o comunicar-se consigo mesmo ou com os outros como formas de pecado ou mal, sob pena de tratarmos as causas e não o causador, e assim, nos tornarmos como o cavalo que corre atrás da espiga sem nunca alcançá-la.
O verdadeiro pecado não está na manifestação da natureza do corpo, pois todos os atos deste corpo são e devem ser sua glória, seu tesouro, seu legado. Seja o contorcer-se de prazer ou gemer de dores, seja o ejacular de emoções ou a aridez social da mente. A vida seria impossível se lha negássemos resposta às necessidades do corpo. E é aí que está a hipocrisia. Este tipo de hipocrisia é a negação do corpo, ou seja, das causas, em detrimento daquele que as causaram.
Uma das roupagens que o pecado parece usar, nos dias de hoje, se baseia no fato de negar ao autor o seu crime e, consequentemente, atribuir a autoria às causas. O ato sexual da prostituta é nada em si quando comparado às atitudes de calúnia entre simples vizinhos, por exemplo. Estes últimos são mais maus do que a mulher que trabalha com seu corpo para ganhar dinheiro com o sexo.
Há diferença entre mau e mal. O mal existe em todas as esferas da vida por consequência de nossas próprias ações e das ações dos outros, ou seja, ele é o oposto daquilo que ainda não aprendemos a fazer bem e melhor. Contudo, o mal é ingrediente do progresso e da busca de melhorias. Ser "mau", no entanto, pode configurar-se na maneira mais desprezível e mesquinha de perder o tempo sobre a face da terra.
Em suma, gera o mal quem é mau, assim como gera o bem quem é bom. E "mau" é aquilo que a consciência faz, propositalmente, mesmo em face da negação, utilizando-se do corpo que tem, quando é sabido que trará prejuízo para si e para outros em claro desequilíbrio entre a esfera pessoal e a social. Ninguém pode alegar desconhecimento do mal que causa, visto que houve o propósito de agir assim, independentemente das motivações. Em outras palavras, tudo o que é retrógrado, tudo o que não coopera com o futuro ou não lhe aponta o caminho, tudo o que não esclarece, tudo o que não faz evoluir, tudo o que não eleva e avança é mal, é pecado. Conforme as palavras de Jesus, narradas por Lucas em seu evangelho, no capítulo 11, versículo 23: "Quem comigo não ajunta, espalha". Há a escolha de sermos ou não geradores de mal.
Tudo o que não traz evolução é mal. E esta é a grande lei da vida: evoluir. Tanto é assim que, muito antes de haver homens sobre a terra, já era o mandamento principal: "crescei-vos e multiplicai-vos" (Gn. 01:28). E isso tem que se dar de uma forma cada vez melhor e maior, e vale para todas as criaturas.
Se o que você faz é sua forma autêntica de expressão ou ação legítima na busca de plenitude no corpo, mesmo que a duras penas, você não está pecando e nem sendo mal. Pois não há evolução se não houver plenitude. A planta não cresce sem luz, terra, água e ar. É preciso permitir à planta a ser planta em sua natureza, assim como é necessário permitir ao homem ser pleno em sua natureza. E sua natureza é a consciência, é o espírito. E assim, o progresso está ligado ao que é pleno, pois tudo o que é pleno em si mesmo se justifica em sua própria existência, cabe a nós aceitarmos suas manifestações. Pois à natureza nada se soma e nem se retira. E a natureza é plena em seu equilíbrio. Mesmo que a chuva nos traga enchentes ou a fertilidade dos campos, não podemos nos revoltar contra o fato de chover. Assim como não podemos taxar a existência das manifestações culturais, psicológicas e sexuais diferentes das nossas.
A melhor maneira de saber-se pleno é observando as crianças: ricas, pobres, ou de diferentes culturas, elas vivem a expressão de seus mais simples desejos com autenticidade. Ser criança é ser pleno.
Se o que te faz pleno é viver com alguém do mesmo sexo, não há quem possa interpor-se. Se o que te faz pleno é ter autonomia sobre teu próprio corpo para o experimentar, não há quem possa lho negar. Se o que te faz pleno é usar a roupa que quiser, não há quem possa dizer-lhe que não. Se o que te faz pleno é estudar e trabalhar, não há quem poderá lhe impedir. São fatores da vida humana, são necessidades e não heresia.
O bandido pode alegar que têm necessidade de matar e roubar, mas a necessidade do outro é viver e não ser roubado, cabe ao primeiro optar em não ser mau. O custo de suas ações virá sempre. Que milhares vivam abaixo da linha da pobreza é mal do mundo. Que o preconceito persista em definir e taxar os semelhantes, em claro julgamento malicioso, é mal. Ou seja, tudo isso é pecado, e é este o verdadeiro pecado. É a estes aspectos que as religiões precisam se concentrar e combater sem temor de desordem. As igrejas não devem se voltar para as causas, mas para o causador.
Cada um responderá às consequências daquilo a que se propôs no uso da ferramenta que é seu corpo. Se trabalho, colherei recursos e abundância. Se menosprezo o labor, a ruína logo vem e com ela a fome. Não há como não corresponder às consequências de nossas próprias ações.
Ser bom não significa ser "o herói" ou "o mártir" da atualidade, este tempo já passou. Ser bom é escolher o bem todos os dias no seu círculo de vida, desde as coisas mais simples às mais complexas. Agindo assim, as causas cessarão, e não será preciso remediar os sintomas.
Não é coerente combater o corpo para se chegar ao espírito e à consciência, é preciso falar ao coração dos homens.
Chuva de Verão
Chove coração
aqui dentro e lá fora.
Vai molhando o calcanhar
e segurando a mão do vento.
Mas, ouça o trovão
e a luz no peito afora,
tremer de medo pra amar,
ser esteio deste tormento.
Corre solidão
pisa o barro que fora
liberdade pra assuntar:
apoteose ou mero invento?
Chuva de verão
foste um sonho que voa?
Era e logo vai passar
sorrir ou chorar sem intento.
Olho de canção
veleja um mar que chora?
Nem teme a vida acabar
só quer saber deste veneno:
Que é amar.
aqui dentro e lá fora.
Vai molhando o calcanhar
e segurando a mão do vento.
Mas, ouça o trovão
e a luz no peito afora,
tremer de medo pra amar,
ser esteio deste tormento.
Corre solidão
pisa o barro que fora
liberdade pra assuntar:
apoteose ou mero invento?
Chuva de verão
foste um sonho que voa?
Era e logo vai passar
sorrir ou chorar sem intento.
Olho de canção
veleja um mar que chora?
Nem teme a vida acabar
só quer saber deste veneno:
Que é amar.
Gente
Gosto de gente simples. Gente que não tem medo, que se abre e se desprende. Que salta ao desconhecido, mesmo com medo.
Só estes sabem amar, porque também sabem sofrer. Só estes sabem sorrir, porque também sabem chorar. Sabem ganhar, porque sabem perder. Sabem ser fortes, sendo fracos; grandes, sendo pequenos.
Gosto de gente feia que é linda por ser quem é.
Gosto de gente porque gente chora, se decepciona, levanta, tenta, desiste, revolta, volta, estressa, acalma.
Gosto de gente que vive e é feliz, é triste, é alegre, é melancólica, é legal, é insegura, mas é gente.
Gosto do povo da gente, das pessoas que fazem o mundo. Que são quem são, que não enganam a ninguém, mostram a que vieram. Chorando ou sorrindo, são gente.
E é destes que gosto.
Gente que vive, sem conta, sem caso, ao acaso, vento frio no rosto, frio no estômago.
Gente que sabe e não sabe, é simples, é tudo, é gente. Seja gente. Só gente pode amar, e só se ama porque é gente. Não seja perfeito, seja gente.
Só estes sabem amar, porque também sabem sofrer. Só estes sabem sorrir, porque também sabem chorar. Sabem ganhar, porque sabem perder. Sabem ser fortes, sendo fracos; grandes, sendo pequenos.
Gosto de gente feia que é linda por ser quem é.
Gosto de gente porque gente chora, se decepciona, levanta, tenta, desiste, revolta, volta, estressa, acalma.
Gosto de gente que vive e é feliz, é triste, é alegre, é melancólica, é legal, é insegura, mas é gente.
Gosto do povo da gente, das pessoas que fazem o mundo. Que são quem são, que não enganam a ninguém, mostram a que vieram. Chorando ou sorrindo, são gente.
E é destes que gosto.
Gente que vive, sem conta, sem caso, ao acaso, vento frio no rosto, frio no estômago.
Gente que sabe e não sabe, é simples, é tudo, é gente. Seja gente. Só gente pode amar, e só se ama porque é gente. Não seja perfeito, seja gente.
Vulnerabilidades
Quando pensamos em nossas emoções, instantaneamente as dividimos em boas e ruins. Entre experiências que nos fizeram sentir-nos bem ou mal. Com base nisso, passamos a evitar os sentimentos e situações que nos constrangem, e que nos fazem reviver as emoções "ruins" registradas na memória.
Não nos damos conta de que, ao fazer isso, estamos nos forçando a ser como máquinas perfeitas, incapazes de errar. Estamos deixando de lado nossa parte mais humana. E é aí que está o problema.
Todo amor, criatividade e felicidade que possamos construir e usufruir fazem parte deste lado humano e frágil de nossa existência.
Não nos é possível separá-lo por partes, pois o imperfeito somos nós. Se deixarmos de ser nós mesmos, deixaremos de viver as satisfações da existência.
A questão é: o que fazemos com nossas vulnerabilidades? São elas que nos fazem ser únicos. E é por causa delas que somos amados pela forma como somos. Ninguém amaria um computador entediante que faz sempre tudo igual, mas amaria alguém que te surpreende a cada dia com um pouco de insegurança e com um pouco de coragem para tentar driblar a insegurança. E o que nos move é justamente esta coragem de tentar mudar as coisas. É isso que atrairá para nossas vidas as conexões sentimentais que tanto precisamos. É isso que nos dará o sentimento de pertencimento tão necessário à saúde emocional de todos nós.
Somos todos imperfeitos, não importa qual o nível intelectual de cada um. Todos nós choramos, ficamos gripados, nos decepcionamos, nos alegramos, nos emocionamos.
E emoção é o lado humano que comporta tudo de forma homogênea: nossas inseguranças e nossos sucessos, nossas susceptibilidades e nossa coragem. Independentemente do rótulo que queiramos dar a estes sentimentos.
A mídia exerce uma forte influência sobre a vida das pessoas ao mostrar a elas que precisam de algo para serem melhores, e sabemos que precisamos de algo todos os dias para superarmos nossas vulnerabilidades. Mas, esquecemo-nos que humanos sem vulnerabilidades não existem. Esquecemo-nos que não há ninguém perfeito e que é tão irreal querer vestir uma máscara para escondermos nossas cicatrizes emocionais quanto querer ir do Brasil à Europa a pé.
A questão principal é: o que estamos fazendo com nossas vulnerabilidades? Estamos escondendo-nos por vergonha? Nós nos envergonhamos de ser quem somos? Estamos tentando enganar nosso cérebro para que ele esqueça o nosso lado ruim, para que se sinta melhor? Para que o nosso lado bom sobressaia?
O segredo das pessoas mais felizes de verdade é que elas construíram toda uma vida baseada na certeza de que eram imperfeitas, que tinham problemas, e não importa quem estivesse ao lado delas, esta pessoa deveria amá-las da forma como eram. E este é o desafio de hoje, construir relações que nos aceitem como somos e que mesmo assim nos amem. Estas são as relações que realmente importam e elas devem ser a prioridade em nossas vidas.
É isso que devemos fazer com nossa vulnerabilidade. Usá-la como parte inerente do homem, e através dela mostrar quem somos. Pois assim, e somente assim, poderemos viver de forma satisfatória todos os nossos sentimentos. Não há como separar os sentimentos e taxá-los em bons ou maus, somos o que eles são, e não há vergonha nisso.
Para nos sentirmos amados e queridos, devemos nos mostrar como somos, sem deixar que o medo nos oprima a ponto de obscurecer nossas personalidades. Ao tentar esquecer as vulnerabilidades, acabamos por impedir que as alegrias se manifestem também. E ao tentar sempre e repetidamente destruir todas as vulnerabilidades, tentamos também acabar com as possiblidades de criar felicidade, amor e conexões com as pessoas que realmente importam para nós.
Do mesmo lugar de onde veem as incertezas do que somos, vêm também as possibilidades infinitas de criar, de amar e de ser feliz.
Baseado na apresentação no TED de Brené Brown.
Não nos damos conta de que, ao fazer isso, estamos nos forçando a ser como máquinas perfeitas, incapazes de errar. Estamos deixando de lado nossa parte mais humana. E é aí que está o problema.
Todo amor, criatividade e felicidade que possamos construir e usufruir fazem parte deste lado humano e frágil de nossa existência.
Não nos é possível separá-lo por partes, pois o imperfeito somos nós. Se deixarmos de ser nós mesmos, deixaremos de viver as satisfações da existência.
A questão é: o que fazemos com nossas vulnerabilidades? São elas que nos fazem ser únicos. E é por causa delas que somos amados pela forma como somos. Ninguém amaria um computador entediante que faz sempre tudo igual, mas amaria alguém que te surpreende a cada dia com um pouco de insegurança e com um pouco de coragem para tentar driblar a insegurança. E o que nos move é justamente esta coragem de tentar mudar as coisas. É isso que atrairá para nossas vidas as conexões sentimentais que tanto precisamos. É isso que nos dará o sentimento de pertencimento tão necessário à saúde emocional de todos nós.
Somos todos imperfeitos, não importa qual o nível intelectual de cada um. Todos nós choramos, ficamos gripados, nos decepcionamos, nos alegramos, nos emocionamos.
E emoção é o lado humano que comporta tudo de forma homogênea: nossas inseguranças e nossos sucessos, nossas susceptibilidades e nossa coragem. Independentemente do rótulo que queiramos dar a estes sentimentos.
A mídia exerce uma forte influência sobre a vida das pessoas ao mostrar a elas que precisam de algo para serem melhores, e sabemos que precisamos de algo todos os dias para superarmos nossas vulnerabilidades. Mas, esquecemo-nos que humanos sem vulnerabilidades não existem. Esquecemo-nos que não há ninguém perfeito e que é tão irreal querer vestir uma máscara para escondermos nossas cicatrizes emocionais quanto querer ir do Brasil à Europa a pé.
A questão principal é: o que estamos fazendo com nossas vulnerabilidades? Estamos escondendo-nos por vergonha? Nós nos envergonhamos de ser quem somos? Estamos tentando enganar nosso cérebro para que ele esqueça o nosso lado ruim, para que se sinta melhor? Para que o nosso lado bom sobressaia?
O segredo das pessoas mais felizes de verdade é que elas construíram toda uma vida baseada na certeza de que eram imperfeitas, que tinham problemas, e não importa quem estivesse ao lado delas, esta pessoa deveria amá-las da forma como eram. E este é o desafio de hoje, construir relações que nos aceitem como somos e que mesmo assim nos amem. Estas são as relações que realmente importam e elas devem ser a prioridade em nossas vidas.
É isso que devemos fazer com nossa vulnerabilidade. Usá-la como parte inerente do homem, e através dela mostrar quem somos. Pois assim, e somente assim, poderemos viver de forma satisfatória todos os nossos sentimentos. Não há como separar os sentimentos e taxá-los em bons ou maus, somos o que eles são, e não há vergonha nisso.
Para nos sentirmos amados e queridos, devemos nos mostrar como somos, sem deixar que o medo nos oprima a ponto de obscurecer nossas personalidades. Ao tentar esquecer as vulnerabilidades, acabamos por impedir que as alegrias se manifestem também. E ao tentar sempre e repetidamente destruir todas as vulnerabilidades, tentamos também acabar com as possiblidades de criar felicidade, amor e conexões com as pessoas que realmente importam para nós.
Do mesmo lugar de onde veem as incertezas do que somos, vêm também as possibilidades infinitas de criar, de amar e de ser feliz.
Baseado na apresentação no TED de Brené Brown.
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