Frio, pra quê te quero?

Tá bom, o blog até hoje só viu versos, estrofes e algumas rimas. Como já comecei uma conversa um pouco mais íntima no post anterior, por que não compartilhar esta oportuna crônica com vocês agora?


Estive pensando no frio. Por que ele me remete ao Norte e aos nórdicos países? Daí, atinou-me um pensamento: A produção cultural Europeia é, por convenção ou não, a maior do mundo. O que tem em comum estes dois fatos? Será que o frio obriga a população a passar mais tempo em casa, estudando, lendo, produzindo arte (que, aliás, é um contraposto bastante agradável para os tempos de frio) e por conseguinte, aumentando a produção intelectual? Afinal, nos países quentes (temperados ou calientes), talvez seria mais complicado escrever ou ler um livro diante da tentação de um clima tropical, durante as 24 horas do dia, e de um sol vívido lá fora que faz os instintos saltarem à flor da pele. Essa eterna primavera do Brasil prejudica a produção intelectual? Esse convite sagaz faz-nos escolher o barzinho de chopp a noite ao invés de debruçarmos sobre uma escrivaninha e escrever contos como Harry Potter, Lua Nova, Crespúsculo, Senhor dos Anéis e ganhar milhões? Será este o absurdo social sob o equador? Como diz a expressão, recentemente semeada pelo twitter, "fica a dica": Carpe hibernus brasileiros.

Aliás, creio fazer parte desta conjuntura, também, o fato de que quando vencida esta tentação abençoada da eterna primavera brasileira, nossos cientistas alcançam um nível muito superior em comparação aos padrões nórdicos ou do Norte. Nossos estudiosos precisaram de uma inspiração e uma força maior que o enorme prazer de confraternizarmos excessivamente com a carne mais próxima debaixo deste céu anil e cálido. Eles precisaram primeiro vencer o prazer para depois o reaver na forma de reconhecimento.

Convenhamos, isso não é mera utopia. Vale a pena questionar qual o senso brasileiro de produção cultural. Vale a pena se sacrificar um pouco mais em busca do conhecimento, da formação superior e do reconhecimento e sacrificar umas horas à beira da praia ou da piscina para pensar e repensar um pouco mais o país que estamos construindo. No próximo verão, lembre-se disto.

Fish