Chove coração
aqui dentro e lá fora.
Vai molhando o calcanhar
e segurando a mão do vento.
Mas, ouça o trovão
e a luz no peito afora,
tremer de medo pra amar,
ser esteio deste tormento.
Corre solidão
pisa o barro que fora
liberdade pra assuntar:
apoteose ou mero invento?
Chuva de verão
foste um sonho que voa?
Era e logo vai passar
sorrir ou chorar sem intento.
Olho de canção
veleja um mar que chora?
Nem teme a vida acabar
só quer saber deste veneno:
Que é amar.
