Louco e Cego

Não concebo na totalidade os instintos
que me instigam.
Como unir fogo e água?
Como conciliar amor e ódio?

Seu coração sente-me
e segue-me pelos recônditos
da noite estelar.

Nossas almas se enamoram
e aguardam a flecha do amor
ferido, absorto.

Meu corpo goza,
minh'alma desalenta
suspira este acalanto.

Em um canto
busca indefesa
minha pele
se defender
de tuas setas.

As vagas
e procelas
rugem
dizendo me levar.

Onde está minha redenção?
Onde está meu coração
agora?

Partido
como o vidro,
traçado
como o papiro
envelhecido?

Embevecido
em vinho,
o amor?

Nesta trama de explosões?
Com o vinho soluça,
chantageia-se a si próprio
como querendo a tudo possuir,
a tudo se agarrar,
a se agitar,
a gritar,
a fugir!

Meu coração vê segredos
que matam,
amaldiçoam.
De onde brota
a redenção?
A salvação cavalga
com a morte.

Ao êxito da vida,
segue a tristeza da morte,
à completude do espírito,
a abstenção da carne,

bêbada,
desditosa,
amarga a derrota.

Ronda no ar
o cheiro do perfume
envolto à poeira
deste esconderijo.

Ronda no ar
o cheiro do seu sexo
louco e cego.


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