
Eis! Amiúda-se o grão de luz
deste meu silêncio vago e cinza.
Como uma pedra contra esta cruz
só pode ser a que se destina.
Incubadas em paredes frias
a ressoar pensamentos vãos,
logo calo-me co'as gotas minhas
espalhadas por algum tufão.
Se ao chão eu me uno letárgico: só.
O mesmo silêncio ouço tão grave
quando acordado no mesmo pó,
chorava, mudo, todas as claves.
Ai de mim, pobre corpo a morrer
Sem um destino, uma sina ou conto
Vou no cais lançar âncora e ser,
Para, um dia, acordar em outro canto
fugindo deste sonho tão tonto
como querendo abrir as janelas
deste quarto que guarda meu pranto
tal manto que guarda fina aréola.
Só ecoa a tão muda verdade:
Onde andarei eu? Donde andarei, pois?
Para meus filhos órfãos, saudade.
Fui em busca de outros maiores sóis.
Deste quarto, sê casa!, me vou...
Leva-me em tuas asas, amor!
Como o nada, nada ressoou.
Nem rima, nem canto, nem clangor!
A mudez me resta ante o infinito.
Sem voz, sem sinos frios, sem tino.
Grão de luz, sob o tempo está fito,
como lutando para ser fixo.

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