O Grito

Um grito aure-se de mim!
Corre a buscar um fim!
Ecoa até o fim, o fim...

Talvez encontre outros
e com eles oure,
para mais outros fins.

Ou nem mesmo fim haja,
ou em si já seja fim.

Um grito que fala,
e irrompe tal o clarim.

Que ouvidos surdos buscais?
Para quê te alucinas?

Grito fino noite afora,
alva adentro. Triste sino.

Folga a nota solta!
Solta a clave rota.
Grita um fino sino!

Chora um grito rouco,
até meio louco.
E tudo o é tão pouco.

Grita dez horas,
mas nada logra.
Grita onze agora,
zune outra hora.

Amarrado e soterrado é o choro
como canção de agouro em coro.

Grito mudo,
feito silêncio.

Grita pra dentro,
deste mundo
que gira

e grita.

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