As Lágrimas do Crocodilo

Quisera eu
por um instante
traduzi-las,

dar cor a este fundo ocre,
que não possui adjetivo.

Mas quando as busco,
onde?
Não tenho os meios?
Não tenho bateladas
de informação?

Que não cabem em mim!
Que não cabem neste mundo.

Onde estais vós palavras?
Palavras que ecoam pelo vento.
Talvez o vento diga mais,
talvez ele explique mais do que vós podeis dizer.

Sim!

Pois é ele quem faz navegar estas minhas velas,
que tão suave,
deslizam a proa sobre as escuras ondas...

Sim!

Talvez seja melhor não materializá-lo,
talvez todas elas fujam com o medo
de sua presença,

medo de derrubar seu castelo
de intenções,
de razões,
de imaginações
vãs.

Talvez elas se escondam
porque és como um vulcão em chamas,
como um buraco negro,
um monte que cospe fogo
e quer consumi-las.

Que fim prevês então?

Sua apoteose?
Sua apostasia?
Sua crença
ou descrença?

Sim,

talvez seja esse o medo,
de que tudo seja igual,

talvez seja o medo de dizer que
o mais banal é o mais aceito,
que o mais intuitivo é o que acerta mais.

Mas que fizeste
para que palavra alguma
pronta viesse
e te dissesse
a verdade?

Se pudesses responder
a mais uma pergunta seria esta:
que local proibido queres pisar?
Que terra de ninguéns é esta?

Que deserto tolo buscas?

Arranque a capa,
abra as cortinas,
entregue-se ao espetáculo.



Escrito em 24/06/2007

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esse comentário é de livre e espontânea expressão de seu emitente e não representa a opinião do criador do blog.

Fish