Fresta de Luz

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

Acolho-me em mim mesmo
num movimento helicoidal.
Abro meus braços para as
comportas desta alma.

Acaricio-me em conivente ato.
Recebo meus pecados, meus
prazeres, meus quereres, ais,
que não mais me infringem dor.

Cinjo meus pensamentos
deles próprios, como a roupagem
reusada, regastada. Lavada!
E que se repete toda tola.

Olho ao derredor a procurar
donde resta uma fresta a luzir.
Que me acalme a carne, que arde.
Que espante meus males, ais.

Herege deles próprios me torno,
torno pela casa afora, negra!
Onde lambes o ar, tênue luz?
Fresta do paraíso supremo.

Mal olho. Olho mau. Miraste o
mundo mau, cheio de prazer.
A tona venho e volto, agora.
Recolho-me novamente.

Envolto em nuvens de pensamento!
Acolho-as, sorvo-as! Embriago-me!
Atiro-me ao esteio deste céu negro!
Colho teus diamantes co'olhos meus!

Deste chão, desta sina que me deste,
cheia de aromas, gostos, cores, formas
armadas no perispírito do universo.
Do nosso universo, singular, particular.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esse comentário é de livre e espontânea expressão de seu emitente e não representa a opinião do criador do blog.

Fish