
Eis! Amiúda-se o grão de luz
Poemas sem causa vêm me acompanhando desde a infância mais terna. Escrevi meu primeiro poema aos 12 anos, decidi agora que vou guardá-los aqui pelo Blog, ou quem sabe, futuramente publicá-los. Fico feliz por ler as postagens, aguardo seus comentários.

Arfar o ar. Suspirar. Respirar!
Paro e olho diretamente para o significado deste mundo.
Tudo que interpreto, tudo pelo que tenho velado!
Me questiono qual o verdadeiro valor de tudo...
Se nada exterior pode se ancorar em mim,
onde então estará o valor pelo qual devo prezar,
e pelo qual minha alma espera? Onde está?
Vejo o quão pobre me faço. Somente agora
percebo-me tão material e tão frustrado.
Não há quem seja mais pobre neste século,
senão o homem que confia em suas próprias riquezas.
Nada pode me segurar, nada pode me
deter... Nem ouro, nem prata! Nem riqueza,
nem poder! Mas o amor! Onde está meu amor agora?
Só ele pode me prender em seus braços!
Amor, antes te sentir etéreo, que estéreo me confinares
a viver sem ti! É por ti que procuro? Será que procuro?
Tudo em mim grita teu nome! Não vez o quão distante já
te tornaste? E só preciso de um abraço, nada mais.
Pegue esta tona! Pegue a alva! Pegue-se aos torvelinhos
do vento! Volte para a casa, pois ainda te espero!
Te espero loucamente, arduamente...
Ou tu não és quem a minha alma espera?
Ou tu não podes suprir a falta que sinto de mim mesmo?
Ou tu, ou outro amor.
Saúde a todos nós. Abrem-se as cortinas do espetáculo!
Um brinde!
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19/01/11 – 2h34
O ar da noite é mais puro
nela os corações são mais livres
o som repousa sem agouro
como ondas do mar de Chipre.
Viajo e encontro amigos
tesouros oníricos antigos
dos séculos de minh’alma
pela noite viva, calma.
Desfaço-me em desfrute,
rego-me pelas luzes da lua,
grandiosa até que me furte
da cama, mulher toda nua.
Carambolas feitas em estrela
enfeitam o prato pelo estrado,
assim como sorvo-as, frutas,
me transmuto em furta-cor.
Radiante prata corta o negro véu
de veludo. Vestes dos céus!
Lua que sorri para os meninos,
tentando fazer dia os caminhos!
Sorrio pra ti também, além.
Noite de canções batismais.
E de redenção sem vinténs,
águas invisíveis aos mortais.
São olhos úmidos que miram
estrelas que dançam e giram.
E no céu da noite vão orvalhar
um brilho, um matiz, um olhar.
Reconforta-me a cantiga da mãe,
como se o dia em gestação
fosse mais pleno e sem afãs.
E esperasse novo, o coração.
Crio asas. Sinto ventos. Vôo.
Transmuto a carne e sonho
que caminhava pleno no céu
agora, todo sem este véu.
Não cessaria este sono,
Sem antes ver-te de perto
noite, lua, estrela, sonho!
Amor que se faz certo.
.

Tiago Soares Portes 01h39 de 09/11/2010
Minha fragilidade urde contra mim,
evidentes ficam meus ossos sob a pele
me olham e encaram mudos assim
e o tempo se derrete como uma vela.
Dias sem cor insistem em vir e ir,
numa dança sem música e lúgubre
c’o alento da morte que traz em si
todos os dias funéreos e insalubres.
Tu que és pó, a ele, certo que voltarás
tão rápido quanto murcha cedo a flor
tão rápido o será, que sequer o verás
com os teus brancos olhos sem cor.
Vou-me daqui, João, vou-me daqui!
Tão rápido já chego além, ao além.
Embora me chames, oh dia de sair
E cumprir como o Cristo em Belém.
Toda natureza morta e cheia de pó
imita meus ossos em troncos mofados
como meu corpo nessa lida está só
ouvindo, triste, o fim do regalo.
Voarei nos arpejos destas chamas
apagadas por ventos vindos d’aurora
da vida que se queima lenta e clama
por encantos da chuva que chora.
É certo que irei, e irei certo e errado,
como os anjos saem e voltam ao céu.
Que direi se nada tenho nem faço?
Assim serei como o pó lançado ao léu.
Medroso homem, espírito feito carne
deixa o orvalho lento pousar sobre ti
pois nada tens que te leve deste cerne.
Então, contemplareis estrelas sem fim.
Deita-te no monturo da tua história
e te acertes que amar é a única sorte
para viveres bem longe desta escória
e aguardares, limpo, esta tua morte.
Certo que és. Certo que vais ao oeste
pôr-se como sol de um dia invernal
cumprir toda a viagem que te deste
para muito aquém do espaço sideral.
Ama agora, desperta, chora, logra!
Só tu tens o poder de saber ser feliz
enquanto dias amanhecem lá fora
anoitecem outros aqui nestes jardins.


