Um alto preço e eu cresço

Tornar-se adulto significa acumular todo o peso de todos os seus pecados.
Embrenhar-se num mundo viciado por suas próprias contundências.
Enveredar-se pela paixão de sua razão, seus conceitos, sua matéria.
Clamo por confessá-los, proferi-los um a um, contar a todos os meus réus
o quão pobre é minha natureza... nossa vívida natureza morta. Até quando?
Desnudar-me-ei. Mostrarei todas as minhas vergonhas desse jugo.
Até configurar-se um novo caráter, das cinzas, do pó, o sopro da vida.
Pobre, pobre e vil. Eis me. Onde, oh caráter, tua força transborda? Onde?
Quero ir a estas águas. Fontes de uma vida infanta, eternamente feliz.
Pois és tu, felicidade, o preço deste fardo que lanço, deixou aos pés de todos.
E não sou mais eu, sairei e voarei sobre as planícies, juvenil dourado, o sol,
o bailar do vento, leve. Pluma a ir borboleteando o ínfimo, íntimo. O finito no infinito.
Despi-me, eis me, será quando me vou voar por tuas bandas, oh felicidade que anelo?
De cansado sonho contigo nas minhas noites. O peso de meu fardo me faz sentir-te tão perto,
ali, onírica verdade, silenciosa, sonho contigo. Tão sutil. Despertar não quero.
Penso em ti, meu fardo, minhas razões, toda insegurança.
Penso em vós, sonho, em voar, beber-te, saciar. Em querer-te. Sonho. Tudo o mais.
E brotar eu vi, minhas consequências, meu flutuar eterno, meus dizeres da razão,
martelo da esperança, por fim não sei mais por que cresci? Por que desabrochei-me?
Por que me enveredei por esta venosa via do amor? Por quê? Onde?

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