16/10/2007 – 22h23
Restam-me ainda algumas palavras?
Poucas palavras latentes.
Palavras sobre o crepúsculo ou a aurora.
Não importa.
O que me resta agora?
Esse meu todo que sou eu?
Mas que também é o mais puro
entardecer e alvorada.
Posso saciar o tempo e ele me devora.
Lenta lida vivida.
As lágrimas e os sorrisos, os vais e vens
de tuas matinas os atropelam.
Rodear, arvorar, lutar...
É tudo o que tenho feito desde a manhã.
Receios me vêm, convidam os medos,
aclamam a descrença e solicitam a finitude.
Sou apenas o bumbo.
Meus sons são únicos, arrítmicos.
As pancadas deste dia apenas o fez ressoar.
Sua ressonância única, inexpressiva, involuntária.
Teu pesado som cai sobre o chão.
Nem vistes teu papel na sinfonia.
E haja sinfonia com todos os acordes...
Somente meu pesado bumbo a se arrastar.
Ao menos podes fazer a marcha progredir.
Só não queria que me roubassem os acordes.
Minha expressão, razão e desrazão que é a
loucura.
Sua marcha fúnebre seja hoje celebração,
seu cantar rouco seja hoje o mero sabiá.
Seu rojo bufando encontre a harmonia
desta linda canção, mais sublime
que guardas dentro de si.
Dentro deste bojo retines o som que
apenas tu o entendes, até quando?
Ah! Inexpressiva nuvem vaga e nos envolve.
De onde me virá o vento que a sopre?
Por que adiantas a noite?
Por que amas o crepúsculo?
É somente ele que vejo hoje.
Negro, frio e tenebroso, é a morada do medo.
O sepulcro da carne, sua cobiça.
O vento vem, eu sei, ele virá e irá, eu sei.
Apagar tuas manchas e cantaremos a música.
Enquanto és, te entoamos o cântico da marcha.
Cantamos a musica do encontro,
no tempo da música.
A vida e a vaga, alegria e procela.
Tu és meu vento, vem assoprar-me com tuas palavras.
Restam-me ainda algumas palavras?
Tuas palavras em mim é o amor.
Me assopre, mude minha canção.
Me assopre, meus ouvidos clamam.
Me assopre, diz que ama-me.
Arroje e aloje longe a tormenta.
Tu és meu sol, brilhe sobre mim...
Meu chão apóie meu tronco, minhas raízes.
Sem ti não sou, a vaga vem, o luar se vai.
Amor, diz que me ama. Já. Basta.
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