Quisera eu ser esse rosto do espelho!
Quisera ter sua vida, tão simples!
Quisera, ao menos uma vez, poder me
olhar de volta como faço para ele.
Queria sua vida, seus problemas fáceis!
Manter-me em silêncio, sem precisar
esboçar a mínima reação, como ele!
Morar nas vistas de quem me observa.
Quisera ou queria, já não importa!
Pois ele é em tudo uma questão de reação!
Volto contigo, vou contigo, estou em ti!
Espelhos do mundo, olhos meus!
Mas talvez um mundo em redoma!
Espelho meu, aprisionado vive!
Como eu! Meu mundo aprisionado!
Preso nas redomas de minhas íris!
Oh! Celestial sopro, refolgaste sobre nosso mundo.
Ou num muro de concreto, preso!
Um mundo elevado ao quadrado!
Talvez o quadro de minha existência!
Que me fita, tal qual fito o universo!
Talvez ele também queria esse meu universo.
Ou só uns versos, vinhos, risadas soltas.
Vê. Eu te entendo! Esse olhar!
Vejo que me fixas com longânime força.
Tal intensidade que se extrapola...
Porém, extrapola-se num novo começo!
Talvez seja teu erro Narciso, a paixão!
Por que não abres este mundo aí preso?
Solta-o das redomas de teu olhar!
Por que serias o reflexo de tua sombra?
Por que quererias não ser, se o podes?
Obviamente. Esse teu óbvio sóbrio!
Este faltoso de Saul, primeiro óleo!
Oh! Espelho meu, quando sairás?
Quando verei em ti meu mundo?
Será ele azul, qual confim celeste?
Será? Estará ele ali? Me olhas de relance!
Quando mostrarás, espelho, a verdade?
Nua! De pensamentos nus! Vontade nua!
Meu espelho! Te espero! Espelho meu!
E falo contigo, espero tuas respostas!
Ou talvez apenas mais um silêncio.
Não importa, tu vês em mim teu mundo!

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