Diálogo














Diálogo
Tiago Soares Portes – 02/09/07 – 23:00h

Minha lareira guarda segredos
Segredos que são desejos
Tuas chamas ardentemente murmuram,
As ouço dizer cada sílaba deste segredo
Ouço sua lenha exclamar de surpresa
Bailando vai tua fumaça contar ao ar
Segredos da noite que só as estrelas conhecem
Eu e meu esconderijo apenas, vão.
Suas pedras olham fixamente para mim
– Estais aterradas?
O ambiente se reveste de uma áurea rósea
Suas mesclas com a escuridão
Ali se desenham corpos, olhos, rostos...
O que eles dizem? O que eles fazem?
Sei apenas que me fitam arregalados,
Comentam entre si, eu sei.
Elas dizem claramente,
Cada arpejo de tuas chamas, uma sílaba.
Um murmúrio, por vezes longínquo,
E se espalha pelo ar
Contam, cantam e recontam...
Encenam minha vida num teatro de
Sombras em lânguidas paredes,
Outrora brancas, jazem vermelhas,
O seu clarão me atinge, o seu
Calor me envolve, o meu clamor se
Dissolve neste choro, neste chão.
Por fim, não sei se minha lareira
Canta ou chora, apenas murmura.


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