Borbulhar ou O Estouro!

Borbulhar
ou
O estouro!
◘◘◘

Por que me lançastes este olhar suplicante?
Tão terno surgiste e tão profundo te tornaste.
Por que esses lóbulos negros me ferem?
Atiçaste instintos adormecidos,
os fizeste acordar para me atingirem?
Tua solidão é a minha no centro desta multidão,
a sinto de longe, clara e inconfundível, se faz audível.
Ouço um estouro que borbulha em busca da superfície,
tento contudo conter tuas bolhas, segurá-las com as mãos?
Com as letras?
As palavras?
◘◘◘
Queria ser, eu próprio, com meu corpo,
o obstáculo às milhares de bolhas
ávidas pela superfície,
ávidas a propor ao ar segredos
das profundezas destas águas.
◘◘◘
Ah! Meu ínfimo corpo perdido nesta vastidão de águas,
como prendê-las oh bolhas?
Sois simples bolhas, vos desfareis,
para o ar não existe ar,
é nas profundezas que encontrareis seu significado,
◘◘◘
sinto-as a bombardear meu corpo
que não lhes pode conter,
o transpõe tão facilmente,
que obstáculo me propuseste.
Se apegam a ele e se soltam, se vão,
em busca do vão, sua superfície,
◘◘◘
para o ar não existe ar, só a sua tona!
E longe dali, outros estouros,
outras bolhas, outras bolhas...
◘◘◘
E nem pressentistes que as águas das quais fugis
vivem uma longa história de amor com os céus que buscais,
o ar que beija estas águas na tona,
este e aquela são enamorados,
para o ar não existe ar,
só existe água
pra qual só existe ar.

◘◘◘

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