Quando? [2003]


O que direi do tempo?
Mas só se fala em tempo.
Tenho tempo para escrever?
– Não tenho tempo! – Grita o homem...

Mas que direi do tempo?
Que com tempo se faz três estrofes?
Sem rima e na pobreza retines...
Ou que põe-se um ponto final?.

Como contorná-lo, oh tempo?!
Como dizer-te: – Pare?! Como?
Os passados que passaram diziam:
“Meu amigo”.

Ainda sim...

Vem e vai... Vem e vai...
Invés de tic e tac...
E se murcham os olhos azuis!
Se esbranquiçou o rubor nativo...

Foi-se voando sem fim?
Como tapar a brecha?
Brecha que virou abismo!
E que por ali vieram os tempos!

Sem certeza (se ao menos pudesse),
Sem esperança (ah, eu a tenho?),
Sem amor (não morrerá nunca!)?
Contudo, sem juventude (É!)!

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