Mulher da Vida


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De tudo e de todos és apaixonada, enamorada, enlaçada.
A puta triste que foste,
antes desgarrada,
a mulher,
aquela,
a outra,
filha do sol,
da lua e
das estrelas da noite.

Vives na vida,
vives a vida.

Comer,
beber,
vender,
comprar.

O sangue fervilha,
“arde sem se ver”...

– Ah! – Foi o suspiro da morte
bêbada com o gozo do amor,
cambaleante, nem sequer pode ceifar-te!

Oh! Mulher da vida!
Onde andas?
Por quem suspiras?
A quem espreitas
oferecer teu coração
abraçado pelos róseos seios?

A quem darás?

– Deixe o fogo me lamber! Deixe a fossa me tragar.

Mas, ai!

O amor embebedou-os,
enlaçou-os antes que a tragassem.

Flui ameno, líquido torpe.
Mas, ferve,
pulsa forte,
mulher da vida!

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