SONHAR
(Tiago Soares Portes – 04-05-2009 – 00h13)

Andando hoje pelos brejos da existência,
almejo ser o lótus que deles se fortalece.
Talvez seja a esperança para este gentio.
Talvez seja o que quer dizer-me algo.
Andando pelos brejos da existência,
pude constatar que há vida sob o lodo
repugnante
do qual te horrorizas.

Ainda que escassas,
há vida,
pequenas,
há vida.

Qual sopro eterno do viver
querendo alcançar cada ínfima molécula deste barro.
Por hora, me vi envolto nele,
me vi encharcado desta terra
que sou eu.

Vi-me molhado deste barro
que sou eu.

Ando por este lodo da existência
sabendo
que sou eu.

Não há riqueza ali.
Sua própria riqueza sou eu próprio. Seu lótus.

Preciso descer mais,
mergulhar neste charco,
seguir em direção às minhas raízes,
lá está a fonte da beleza que sustento em
tona.

É dali

Do sombrio borbulhar da lama
que sobem as cores destas pétalas.

É dali

Que sem nome se transforma
esse sentimento de repúdio de meu lamaçal
em coroa e honra para toda espécime ao derredor.

Onde crescem essas pétalas
acalentadas apenas pelo reflexo
do breu
do luar
de hoje.

É dali

Que sobe a coroa deste milagreda vida,
da transformação
da pobreza
na mais pura beleza
e arte.

É dali

Que o viver ensina
que se pode ganhar nuances
em meio ao negro lamaçal.

É dali

Que as cores da vida mostram
suas mesclas intangíveis.

É dali

Que o canto ganha sentido.
Este canto mudo do Lótus
sonhando com a lua.



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