(Se eu não te amasse tanto assim)
(Tiago Soares Portes)
Se eu não te amasse tanto assim
se ouvisse as vozes dentro de mim
Se eu pudesse acordar de um sonho
e visse você sorrindo ao meu lado.
Seu semblante eu contemplaria
à luz do seu olhar me envolveria
Se pudesse te chamar pelos teus nomes
Se você me ouvisse e respondesse.
Mas hoje sou apenas eu mesmo
Sentimentos flácidos, amontoados a esmo.
O que posso fazer? Recuso-me a acordar
sei que ali não estará.
Talvez o amor seja apenas simples palavras
que tragam a calma, que não dizem nada.
Talvez seja só a dor que não dói em lugar algum.
Não há quem entenda, mas nos olhos há vendas.
Duro, oh amor, tu és duro. Se possível fora
levaríeis de uma só vez nossos restos à porta da sepultura.
Conjuro-te que não venhas me buscar.
Que cesses de derramar teu vinho sobre mim.
Tu és mar de conchas perdidas da mão da menina,
Na imensidão de tuas águas santas.
Rezo por ti quantas horas? Já tantas!
Vagarei, vagas vêm, voluptuosas vigiam-me.
Cantas meu acalanto, vem com teu sono.
Me faz dormir em teus braços, onde
rejuvenesço, cresço, onde amadureço.
Teu olhar somente sana meu pranto.
Onde, pois, pisei? Por quais armadilhas andei?
Qual o cheiro da mais afrodisíaca flor,
a última flor na face de tuas amazonas?
Oh, é o teu amor que me fazes delirar.
Por que te quero se não quero?
Por que lembro se nem penso?
Fizestes-me dormir, ou acordar...
Só vejo a madrugada tardar.
Vem voando por sobre o mar. Teu mar.
Vem levar-me ao teu recanto,
fazei-me sonhar novamente com teu manto santo.
Vigio por ti, oh amor.
Noite ainda é. Vaga que me envolve.
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E as novidades de 2010. Quero ver inspirações meu caro amigo!!! Pri ... bjsmeliga!!!
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