Depois que você se foi, um vazio parece ter se instalado em mim. Minha mente está cheia dos teus pensamentos, me recordo de ti, não mais como aquela pessoa que realmente você é, mas como um sonho não realizado, como um amor desesperado para sair, ainda enclausurado. Não me recordo mais de você, mas do sentimento que deixou dentro de mim. Sim, ele está vivo! Não vejo outra forma de amar uma pessoa a não ser me entregando a um amor, me tornado uma vítima das suas mazelas, me fazendo de cego, tentando te achar no obscuro da memória. Armadilhas estão ali por toda a parte. Não sei mais como poderei alcançar minha redenção, como superarei essa força que me inunda por dentro. Sei que você foi meu primeiro amor, e quão cego eu sou! Minha sentença está escrita. Hoje pago por ter te expulsado dos recônditos das minhas entranhas amorosas. Nas lembranças de um verão que hoje é apenas inverno, somente aí te encontro mais. Por que uma vida tão vaga? Não era o bom o bastante para você! Não sei se me queria verdadeiramente. Creio que não. Mas, de cego que sou não vejo isso ainda hoje. Nem se você mesmo me dissesse com sua própria língua, eu não poderia crer. Por quê? Por que você? Logo você, meu amor. Onde estamos agora? Onde eu estou? Onde você está? Creio poder te ver... Não, não vejo, estou vendado por uma esperança tola. Quem a alimenta? Será ela tão selvagem que vai a busca de seu próprio alimento? Uma caçadora? O mais engraçado é que parece existir apenas um alimento.
Perdoem-me, oh céus! Pela transgressão do amor, pela falta que infringi. Perdoem-me pela cegueira a que um sentimento me submeteu. Perdoem-me se não tiver mais volta. Perdoem-me se não vejo mais valia em outra história.
Tenho apenas uma falta inundando meu íntimo, e essa eu posso sentir de todo. Ouço gritos de fome dentro desta vasta floresta negra. Meus outonos não terão fim?
Sonho, apenas ele existe neste momento. Mas você não sabe o que é... É complicado demais. Quem se importaria com a bagunça que é um coração quebrado? Quem gostaria de ficar entre os cacos? Afinal, tanta sujeira, tanta lamúria, tanto suspirar noite e dia. Quem se adaptaria a esse meio? Mas sei que é justamente esse meio que tem sido minha casa desde a sua partida. Não vou pedir para você voltar. Mas era isso que tinha pra fazer ao te escrever estas linhas. Ainda sinto amor, o amor quer viver, ele quer ver as primaveras da vida, quer alçar vôo por outros horizontes até o verão voltar junto com você. Infelizmente, continuo sonhando com este momento, continuarei qual peregrino a visitar sua cidade natal, pois nessa mesma cidade, nessa mesma casa de cacos, foi o lugar em que nasceu meu amor. Numa tentativa de resgatar suas memórias ou apenas velar por um nome (amor) ainda escrito. Acho que na linguagem Braille, certamente. Miro o horizonte, me preparo para alçar vôo, mas onde está você que prometeu me seguir pelas estrelas? Caso não o tenha feito ainda, eu mesmo prometeria em teu lugar. Venha!
Acredito que a noite será meu outro consolo. Meus ossos, minha pele, minha boca aguardam quietos sua chegada. Mas algo em mim não sabe aguardar: o coração. Pobre e cego se tornou, se apegou ao sofrimento e dele não quer se apartar. Diz para a angústia: “Você é minha irmã!” Apavoradamente ele se inquieta por todos os cantos, por todas as possibilidades, por todas as formas de te ter de volta. Mas, as suas cogitações não têm outro fim, senão os sonhos. Meus pensamentos sobre você pululam minha mente durante a noite, porque pela manhã sonho acordado, dizendo: “Onde você está? Quero te amar!”
Em Cada manhã, vejo você nos reflexos de meu olhar. A Cada entardecer lembro-me de ti. Talvez te imagine como alguém conquistador, aceitaria essa idéia se realmente me tivesse conquistado. Não existe conquista na falta, não existe prova de amor no abandono. Mas, pelo meu amor por ti, ainda te espero. Eu poderia dançar como um flamingo em suas núpcias nos pântanos ou poderia vazar clareiras como a corça que foge do caçador. Mas, se você é quem caça, então não fugirei. Pobre de mim que esta arma foi certeira em me atingir. Bem no ponto mais crítico de minha caminhada.
Sou um despojo pobre, nu, cego. Tem-me já enlaçado, temo que a fogueira certamente seja o meu destino diante dos teus olhos. Queria saciar tua fome? Pobre pássaro eu fui ao cruzar sua mira.
Amor, como queria poder te chamar assim! Mas não posso! Espero o dia em que tornarei a voar, o dia em que tornarei a visitar os nortes azuis de meu céu, meu sol, raios. Talvez meu próximo pouso seja teu coração. Sonho, mas nada vejo. Não consigo ver que me despreza e que, alegando fazer um bem a mim, me abandona à própria sorte do carrasco do amor.
Estou entregue à rapina. Mas, isso é o melhor para você, acreditar que um dia acordarei deste sono e encontrarei as pessoas especiais que existem nesse mundo. São tantas! Mas, parecem que, como eu, elas se esconderam entre suas próprias ruínas também. Crerei sempre que visitar as ruínas alheias pode acalentar meu sofrimento, talvez me cure ao curar, talvez me console ao consolar, me dê ombro amigo ao dar meu próprio ombro.
Então, esqueci-me do que é amar. Amar a fundo se não te tenho não é amar. A figura do amor para meus sonhos é você e acredito poder vivê-lo somente com você. Tomara o amor se revele a mim como algo maior, maior que todo o amor que me afoga por ti. Maior que tudo aquilo que rouba meu ar ao ver suas fotos, que me faz sonhar com o fundo de seus olhos negros, tomara ele seja mais que tudo isso, senão, cativo serei ainda mais. Nos seus sorrisos aparecem claramente as luzes das estrelas, cada constelação. É possível me deparar com sagitário ao olhar seus caninos, ou escorpião ao me deparar com seus molares, talvez a via láctea tão incrustada no céu de tua boca.Doce, é o doce que você tem nela que me raptou a alma como num sopro. Extremamente saudoso, mandei construir um memorial para ti com as ruínas de meu coração. Guardei ali o único pertence seu que ainda tenho guardado comigo, e somente comigo: o amor.
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"Nada mais é que falta de sexo." - Anônimo.

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