Chega a ser engraçado, como que de uma hora pra outra o dia claro de sol se desfaz em água e, depois, o frio. Parece engraçado também como esta metáfora pode se assemelhar a um dia ruim.
Talvez não existam dias ruins, mas apenas aquilo que nós enxergamos com um olhar melancólico e egocêntrico.
Como nos é custoso levantar o olhar para além das nossas colinas interiores! Este instinto preguiçoso e econômico que é o homem na sala de seu ser. Isso é quase engraçado, mas não por sua simbologia recheada de verdades, mas devido à cena patética dos semi-deuses lançados nos seus divãs intelectuais e presos nas redomas de suas cabeças.
Ah, é a vida. Às vezes ainda me esqueço. Cabe, será, fazer dela um dia chuvoso melancólico e chamá-la de ruim? Por que não da chuva do caju? Esta fruta suculenta, dourada e de sabor inconfundível. É um outro ângulo de visão, talvez um pouco mais próximo da realidade ao nosso redor, e não da realidade do nosso interior.
Não sabemos, pois, como escapar da caverna durante nossos dias "ruins". Talvez fosse mais fácil o "simplesmente". Outro desafio. Mas, uma coisa leva à outra: quando somos simples por dentro, não nos preocupamos tanto com as vicissitudes do ser, com os detalhes que nos doem. Como o menino que joga bola e abre a tampa do dedo, valeu mais a brincadeira que a dor do machucado. Quem se arrependeria da brincadeira da vida?
Se para o cajueiro é bom que a chuva torne seus frutos mais suculentos, por que que, para nós outros, ela deveria significar melancolia? A resposta, talvez, surge de uma voz vinda lá de dentro: para que o incômodo nos faça olhar para as coisas certas. A melancolia é um incômodo, é ela o que dá o significado de ruim ao dia de chuva. Mas não, a chuva é vida. O incômodo é vida clamando por socorro. Deixe-se incomodar com simplicidade, e então o dia de chuva terá outro significado como o cheiro do caju maduro molhado pela chuva que leva seu nome. É tempo de caju, pois não.

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