Apenas ergo meus pequeninos olhos, um pequeno relance basta para mirá-lo.
Lá está! O grande Zermatt a nos vigiar. Testemunha de incontáveis histórias!
Zermatt também nos olha enternecido. Condoído de nossa pequenez!
Todas as manhãs a tocar o céu. Ele é o primeiro a ver o sol.
Algumas nuvens o rodeiam, brincam e o abraçam pelas estripulias do vento!
Zermatt sério, intacto! Guarda segredos em seu âmago tal qual donzela misteriosa aguarda a paixão.
Guarda, ele, tesouros? Firmes desde sua fundação!
Teu cume tal como um dedo a rabiscar o céu! Quão sereno, imóvel e plácido, Zermatt!
Teu silêncio compassivo abranda tua força descomunal! Abrancam-se teus cumes tal cobertor de veludo!
Quão altos teus paredões de ferro! Chave alguma os abre!
Ah, Zermatt! Tua robustez ferina a brincar com a graça de levíssimas nuvens!
Quão pequenino sou diante de ti! Mas, quão insondáveis nossas fundações, tais as tuas!
Os homens fazem moradas aos teus pés, tu já conhecias os pais dos seus pais desde sempre!
Oh, força que não conheço! Como sou pequeno, Zermatt!
Abrem-se teus vértices até onde minha vista não pode mais ir.
Teu discurso é mais claro: quão pequenos meus ossos! Minha derme quão ínfima! Meus pés não podem escalar-te! E tua magnitude se resume em brandura, firme desde os tempos antigos!
Escudo imenso a nos guardar! Vigiai! Gritas tu! Vigiai que o orgulho está às portas!
Ouço tuas pedras a clamarem, Zermatt! Estou abaixo!
Perdi meus lábios, pois deles não ousa sair palavra alguma que lhe conteste.
Acolho-me, colho-me, coalho-me, assoalho-me, amealho-me.
Perdi-me! Perdi-me de mim mesmo! Absorto diante de tua grandeza e de minha pequenez!
Diante de tamanha pequenez prepotente e diante de tua preponderante mansidão! Sua placidez imensa!
Mas, tu ainda me dizes que és do meu tamanho! Ah, Zermatt! Ah, Zermatt!


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